Archive for the ‘ Literatura ’ Category

Filho Sozinho, de Francisco Ventura

Filho Sozinho, de Francisco Ventura, é uma peça de teatro em três atos representada pela primeira vez a 8 de julho de 1944.

Esta obra possui apenas oito personagens: Maria, José, João, Iria, Mariana, Adriano e dois guardas. A ação decorre praticamente toda num só espaço, a casa de Maria e João, um casal que tem um filho único, José.

Em criança, José só faz asneiras, mas Maria ia sempre desculpando e até encobrindo o filho. Este vai crescendo e as asneiras, agora crimes, persistem: o furto de um cântaro de azeite, o roubo do dinheiro dos pais… o assassinato de um vizinho…

No final, para desespero de Maria e alívio do pai, José morre ao tentar fugir dos polícias e do povo, que queria fazer justiça por suas próprias mãos.

A escrita deste autor é um pouco diferente daquilo a que estava habituada, pois este livro é antigo e a grafia também, o que justifica, por exemplo, a acentuação de muitas palavras.

Na minha opinião, trata-se de uma peça muito bem escrita, que me fez viver os acontecimentos de forma intensa, como se a história fosse real, por isso recomendo a todos a sua leitura!

Ana Rita Pereira, 11º D

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Cântico do Homem, Miguel Torga

ImagemO livro Cântico do Homem, de Miguel Torga, pertence ao género lírico. Fala acerca do amor e das suas fragilidades, dos sentimentos do poeta e dos seus desabafos enquanto pessoa, enquanto ser humano.

Este livro é fácil de ler, pois é pequeno e a escrita do autor é muito simples e cativante, visto que conseguimos entender o que o poeta quer dizer e o que sente.

Gostei muito deste livro, porque me identifiquei com ele. Percebi que, muitas vezes, queremos mostrar que somos fortes, que não temos fragilidades, mas nem sempre isso é verdade. Houve, como é natural, poemas com os quais me identifiquei mais, mas cada um deles retrata, de uma forma muito simples e muito verdadeira, aquilo que poderia ser uma preocupação real de cada um de nós.

Este livro, como disse, conseguiu cativar-me por ter uma escrita simples e por ter uma temática com a qual me identifiquei muito. Assim, consegui percebê-lo melhor e entender as minhas fragilidades e aqueles sentimentos que, muitas vezes, não queremos mostrar às pessoas que nós amamos e que nos amam, acabando por nos prejudicar. Além disso, este livro fez-me refletir e entender que muitos dos meus atos não estavam tão corretos como eu pensava!

Cristiana Mesquita, 11º D

No teu deserto, de Miguel de Sousa Tavares

ImagemNo Teu Deserto, de Miguel Sousa Tavares, é, acima de tudo, um livro de homenagem, uma homenagem a uma pessoa conhecida numa situação especial e ao deserto. É ao mesmo tempo um livro de nostalgia em relação a essa pessoa (que acaba por morrer) e ao deserto, do qual o autor não perdeu o contacto.

É um livro extremamente agradável de ler, intimista, contudo apresenta, no meu ponto de vista, alguma falta de profundidade. Em algumas situações, embora poucas, senti que podia haver um maior desenvolvimento, a nível da descrição de paisagens, situações, lugares, e até de diálogos e pensamentos.

Relativamente ao conteúdo, é uma linda história de amor, de um amor que não chegou a ser vivido, pelas circunstâncias da vida.

No Teu Deserto mais parece uma carta enviada a Cláudia. Uma carta de despedida que não foi possível escrever enquanto ela esteve presente, uma homenagem, um agradecimento. Nessa sinceridade do agradecimento do narrador reside um dos pontos fortes da obra que tem, ainda, a particularidade de incluir capítulos narrados pelo outro lado, ou seja, por Cláudia. O autor aventura-se a entrar numa mente do sexo oposto.

Este livro fez-me refletir sobre a importância que as pessoas têm nas nossas vidas e o quanto lhes devemos dar o devido valor enquanto estão presentes e ao nosso lado, pois quando refletimos e damos conta que errámos num determinado momento, pode já ser tarde demais para o arrependimento.

É um livro de fácil leitura, que recomendaria a pessoas que gostam de livros baseados em histórias verídicas, pelo facto de nos poder ensinar a viver e a ver o mundo de uma maneira um pouco diferente da habitual.

Resumo da obra:

Neste (quase romance) de Miguel de Sousa Tavares, acompanhamos a descrição de uma viagem feita em Novembro de 1987 pelo narrador ao Deserto do Sahara, num jipe UMM, na companhia da jovem Cláudia, que só conheceu uns dias antes da partida.

Acompanhamos a evolução da relação de dois quase desconhecidos, unidos pelo desejo de conhecer o deserto e de como se adaptam um ao outro quando envolvidos num mundo desconhecidos para ambos.

Seguem com mais pessoas numa caravana de jipes, mas praticamente nem se dá pelos outros, tão concentrada está a história neste casal envolvido por um amor bem diferente daquele a que estamos habituados.

Diana Marques, 11º E

O Senhor Valéry, de Gonçalo M. Tavares

Recolha de Raquel Pereira, 10ºE

A Terceira Rosa – Manuel Alegre (Entrevista)

“A Terceira Rosa”, onde conta a história de uma paixão, entre Xavier e Cláudia, e um romance onde é possível entrever o próprio escritor. Alegre escreveu-o como pensa que a vida se nos oferece: em pequenos momentos, em fragmentos de eternidade, sabendo que há coisas que não podem ser escritas, ou, como diz, “inundadas pela prosa”. E a poesia? “A poesia, como a matemática e a física quântica, apanha tudo.”
PÚBLICO – No fim do fragmento inicial do romance, lê-se: “E a terra começou a tremer.” Verdadeiramente, quando é que isso aconteceu?
MANUEL ALEGRE – “A Terceira Rosa” parte de uma vivência, como é óbvio, mas é uma recriação literária. A terra começou a tremer, em sentido real e metafórico, desde que tenho consciência de mim. É uma coisa que se dá na infância, sem a consciência do que é, e que depois, na adolescência, se transforma numa paixão. Estou a falar na mulher do livro…
Já não se sente tão irritado quando, em 1999, lhe perguntaram se a Cláudia sempre existiu?
Há um Xavier e uma Cláudia em todos nós. E há sempre uma paixão primeira. Mas, ao mesmo tempo, há uma transfiguração que tem que ver com toda uma tradição do amor ocidental: do amor cortês, das minhas próprias leituras do romance de cavalaria, do “Cavaleiro Andante”, dos romances de Walter Scott, do Santo Graal, enfim, de “A Menina e Moça”, do Bernardim Ribeiro, que aparece no livro muito explicitamente… para dizer algo que é arrepiante mas, quem tenha passado pela sensação da terra a tremer, sabe quanto é cruelmente verdade: “A paixão não repousa em outra paixão.” Dito de outra maneira: a paixão pela Cláudia concreta permanece ainda, “passa e não passa”, como diz o pai de Xavier?
Todo o amor só dura aquilo que se perde. Há a Cláudia real e a Cláudia inventada – eu não sei qual é a mais verdadeira! Mas uma e outra talvez personifiquem o amor. No fundo, ama-se o amor, a paixão. Pode amar-se uma pessoa concreta. Mas o problema do abstrato é quando o real se transforma nessa abstração, no amor do amor.
E a morte de Cláudia também foi real-real ou é uma ficção?
É real e não é real! É real na medida em que há um momento em que há um corte, que é um momento de morte, como há muitas formas de ressurreição.
O Manuel Alegre de “A Terceira Rosa” é mais ficcional, e menos confessional do que em “Alma”. Mas está a narrar algo de mais intimista.
Talvez seja uma ocultação. Mais: talvez seja impossível uma escrita sem essa ocultação. Nem gosto do tom confessional, e acho que foram muito poucos os escritores que acertaram quando foram por esse caminho. Talvez Rilke tenha acertado quando escreveu “Cadernos de Laurids Brigge”.
Formalmente, o livro é muito depurado. Quem é quem dentro e fora dos parêntesis?
É uma espécie de jogo. Inclusive a introdução do Manuel Alegre-ele-próprio no romance. Nos parêntesis há mais o eu-próprio-o-outro, a lembrar o que disse Mário de Sá-Carneiro, o Xavier, e fora deles há mais a narrativa. É um jogo entre, se quisermos, ocultação e desocultação.
Esse processo gráfico-formal como é que surgiu?
Começou por aparecer no “Jornada de África”. Acho que tem que ver com a poesia e com o cinema. A escrita vive de breves instantes como a vida, são breves instantes de eternidade. Quando fazemos o balanço das nossas vidas, o que temos são pedaços desses breves instantes – que têm que ver com a morte, com amizade, com um poema, com um quadro que se vê, um fim de tarde. A escrita, como a vida, é feita de fragmentos. Talvez não seja um romancista, ou não sei bem o que é hoje ser romancista, e não vejo que se possa fazer uma narrativa hoje que não seja através da colagem ou da montagem desses fragmentos.
É uma cedência ou um condicionamento da nossa pós-modernidade?
Não tem que ver com a pós-modernidade! Para mim, tem mais que ver com a dificuldade em definir as fronteiras entre poesia e prosa. Vejo o romance, como inundação da prosa, como poesia – através de uma escrita não rimada, mas ritmada – e até como ensaio. Se formos a ver nos romances antigos de Tolstoi, Thomas Mann ou Flaubert, há um pouco de tudo isso.
Mas hoje, em que o tempo, de repente, mudou de velocidade com as novas tecnologias, com a Internet a ficção e a poesia. Não conseguem apanhar tudo, é isso? Por isso a escrita só pode captar a fragmentação?

A poesia, como a matemática e a física quântica, apanha tudo. Mas acho difícil uma prosa que não integre a poesia, o ensaio, o cinema e esta nova escrita da cibernética, das mensagens dos telemóveis. A fragmentação vai acentuar-se. Acho que António Lobo Antunes apanhou bem isso, por exemplo, em “O Esplendor de Portugal”, que reli há pouco tempo. Do ponto de vista da escrita, correndo o risco de perder o fio à meada, ele percebeu a fragmentação da linguagem, dos tempos, em que há uma espécie de orquestração da própria prosa.
Não lhe ocorreu a escrita de Maria Gabriela Llansol?
Ela faz uma espécie de intersecionismo da prosa, como encontramos em “As Ondas”, de Virginia Wolf, que é provavelmente um dos mais modernos e um dos mais fantásticos livros que li. Talvez o romance vá para aí, ou para uma estrutura narrativa de um Paul Auster. O que para mim é difícil é separar as fronteiras entre prosa e poesia.
Por que razão chegou à prosa tão tardiamente?
A própria vida que tive e a necessidade de ter algum distanciamento em relação à intensidade com que me embrenhei nas coisas. É difícil passar as coisas para a prosa, quando se tem uma vida muito intensa, muito povoada de acontecimentos, viagens, sítios.
Também por isso, “A Terceira Rosa” está carregado de uma enorme vertente poética. A certa altura o narrador diz: “O que sei, mas isso outros o dirão muito melhor, é que a paixão é uma festa e um veneno, rosa e cicuta, rima com puta, agora sim, palavra certa para tanto fogo e tanta mágoa.” É um poema… Mas a história da paixão por Cláudia não passou, formalmente, por um livro de poemas. Porquê?
Não sei explicar isso! Nunca tive uma grande paciência para a prosa burocrática, sentarme à mesa, escrever das tantas às tantas. A escrita, para mim, vem como uma toada, como um ritmo. Ultimamente isso tem-me acontecido mais com este tipo de escrita em que me envolvi com “A Terceira Rosa”.
Tem alguma explicação para isso?
[Enquanto se deixa cair para trás no “maple”, há um silêncio. Longo]. Esse estado de graça irrepetível tem que ver com circunstâncias irrepetíveis… Como ir ao outro lado e vir. Não se vai lá muitas vezes. Ou melhor: não se volta assim muitas [risos]. Mas essa questão já me deu muitas vezes que pensar… O chamado estado de graça, ou estado do poema, é dificilmente repetível, e estou hoje muito menos disponível. Ou o poema acontece e se me impõe. Ou então dá-se na prosa. É engraçado, porque Pessoa valoriza a prosa em detrimento da poesia, num texto que é fundamental, mas que não tenho presente, o que é o contrário do que acontece com a maioria dos escritores.
Em diversas entrevistas que deu, quer se fale da arte poética, quer da de escrever, disse que é a arte de perguntar – quando é sabido, como o narrador numa certa passagem diz, “nem toda a vida passa para a escrita”. Perguntar o quê?
Perguntar o que é o sentido da vida, todas aquelas coisas que são velhas e que acabam por ser novas. Claro que há perguntas sem resposta: eu não digo que sou ateu. Deus ou não-Deus? Ninguém saberá nunca responder. Ou se acredita ou não se acredita, e no plano da fé, não se discute. A pergunta é se isto faz sentido ou que é que andamos aqui a fazer. E a arte é isso: é uma pergunta que incessantemente se repete. É tentar dizer o indizível. É como o amor – é difícil de dizer, e não sei se o consegui em “A Terceira Rosa”.
Como é que se pode compreender, sobretudo depois da experiência de “Senhora das Tempestades”, o que disse ao PÚBLICO, em 1999: “Tenho a sensação que começo agora a escrever.”
Tive a vaga sensação, desde “Senhora das Tempestades”, porventura depois da experiência por que passei, que tinha a urgência de dizer o que até agora não tinha dito. Talvez porque passei a ter um outro olhar sobre a vida, talvez porque me tenha dado conta de que me tinha embrulhado de mais na vida política e tinha que me distanciar das coisas para começar a escrever. Ou a voltar ao período de “O Canto e as Armas” ou de “A Praça da Canção”, em que escrever era uma espécie de exaltação.

Recolha de Raquel Pereira, 10ºE

Falar verdade a mentir – Almeida Garrett

A peça de teatro que li no âmbito do projeto individual de leitura de Literatura Portuguesa tem o título “Falar a verdade a mentir” e é da autoria de Almeida Garrett.
Neste trabalho vou falar sobre o tema do qual trata o livro: a mentira.
Nesta peça, Duarte, a personagem principal, mente constantemente, não se consegue controlar, pois é um mentiroso compulsivo. Mas o que entendemos nós por esse comportamento?
A mentira compulsiva é considerada uma doença, resultante de um longo vício de mentir. A pessoa mente por mentir, perde a noção do que é verdade ou não, convence-se das mentiras como puras verdades. As pessoas perdem lenta e gradualmente a consciência da gravidade da doença, que vão adquirindo, porque a sua realidade vai perdendo cada vez mais sintonia com o real. Por fim, o vício de mentir é um ato inconsciente e, perante a mais simples situação, a fuga à verdade brota espontânea, como uma repetição compulsiva, com a criação de “verdades” inexistentes. Esses doentes são, por isso, chamados de mentirosos compulsivos.
Este tipo de comportamentos pode dever-se ao facto de o indivíduo que mente se sentir frágil a nível emocional, com baixa auto estima, mas esta situação tem tratamento a nível de psiquiatria.
A pessoa que mente pode ser considerada bipolar, pois acaba por acreditar nas mentiras de que fala, vivendo uma vida imaginária, que pode ocorrer por falta de afeto, por traumas de infância, etc…
Neste livro, o facto de Duarte mentir compulsivamente provoca várias situações desconfortáveis para as pessoas que o rodeiam, perturbando igualmente a sua vida em sociedade.
Em suma, a mentira compulsiva é uma doença que precisa de tratamento, mas é necessário a “vítima” reconhecer que mente constantemente e procurar ajuda para um tratamento que, certamente, a ajudará a sentir-se melhor.

Cátia Barbosa, 10º E

Aquário na gaiola

“Aquário na gaiola”, o livro de teatro escolhido por mim para ler na disciplina de Literatura Portuguesa, foi escrito por Júlia Nery. O título é bastante interessante e fiquei muito curiosa acerca da história.

Este livro só tem três personagens: Inês, Gonçalo e Mãe do Gonçalo. Gonçalo e Inês vivem uma história de amor, de iniciação aos afetos e de descoberta do outro. É na escola, mundo de diversos mundos, que acontece o encontro dos dois. Ela, oriunda de uma família modesta, atingida pela violência de um pai alcoólico; ele sempre em conflito com a mãe, uma mulher da alta burguesia que dá demasiado valor à vida social e a quem o filho culpa pelo abandono do pai.

Gonçalo entra nesta relação sem amar Inês, viu-a como uma maneira a afetar a mãe com o seu suposto relacionamento. Quando ela se apercebe de que anda a ser alvo de mentiras e desprezo por parte dele, pensa que é pelo seu aspeto físico. Desaparece então por uns tempos e, quando volta, está realmente mudada. Gonçalo rejeita a nova Inês, pois o tempo que ela esteve fora foi o suficiente para ele perceber que a amava tal e qual como ela realmente era! Nesse momento acabam o namoro, mas resolvem ser amigos.

A minha opinião em relação ao livro é positiva. Esta breve história de amor fala sobre problemas que afetam o universo feminino (a relação conflituosa em torno de um corpo marcado por padrões ideais de beleza); alerta-nos para a realidade de nem sempre podemos confiar nas pessoas; por outro lado, ela mostra-nos também os problemas da adolescência e os amores que a maioria dos jovens julga ser “para sempre”…

Li e recomendo!

Marisa Fernandes, 10º E

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